“Já reparaste como um ponto de interrogação parece uma orelha e, como a interrogação se faz escuta?”, foi a proposta curatorial vencedora da primeira edição do Prémio Atelier-Museu Júlio Pomar/ EGEAC 2015 e está patente em Lisboa, até dia 10 de Abril com entrada livre.

 

O título da exposição toma de empréstimo uma pergunta que Júlio Pomar colocou a Helena Vaz da Silva, numa conversa realizada entre os dois, em 1979. Para Maria do Mar Fazenda, apesar da forma interrogativa, o título, mais do que uma resposta, procura um interlocutor.

Podendo as exposições surgir de uma interrogação, um dos pontos de partida para a curadora conceber esta proposta curatorial, especificamente desenhada para o Atelier-Museu Júlio Pomar, foi a pergunta: “O que acontece ao espaço se invertermos o seu nome?”

Um Atelier-Museu, na acepção mais usual, é um (antigo) atelier de artista transformado num museu – por norma, dedicado à sua obra. Num Museu-Atelier, trocando, agora, a ordem comum dos termos, é um museu que se torna atelier. Dito de outro modo, um espaço para pensar, fazer, questionar o próprio museu. A pergunta-título expressa, então, um “estado de espírito” para entrar neste museu-atelier, onde um conjunto de obras comentam, questionam e escutam a instituição museológica.

 

A exposição «– já reparaste como o ponto de interrogação parece uma orelha, e como a interrogação se faz escuta? » reúne artistas que, em determinados trabalhos, abordam a organização espacial e discursiva do museu, a sua missão memorativa e seus efeitos: Ana Pérez- Quiroga (a colecção e o seu discurso), Andrea Brandão (o efeito de musealização), Ângelo Ferreira de Sousa (o museu como campo de batalha), Catarina Botelho (o espaço museológico enquanto heterotopia – um outro lugar simultaneamente real e imaginário), Fernanda Fragateiro (a biblioteca e o museu, em permanente alargamento e construção), Lúcia Prancha e Sara Fernandes (as formas expositivas vanguardistas de Lina Bo Bardi), Mafalda Santos (a rede que liga artistas, curadores, exposições e instituições), Mariana Silva (as ideias de património, cultura e legitimidade), Ramiro Guerreiro (os dispositivos de apresentação das obras de arte e as instituições/exposições como dispositivo), Rodrigo Oliveira (o acto de coleccionar, público e privado), Sara & André (a citação da instituição-museu).

Será ainda apresentada uma pintura de Jules Dupré, pintor da Escola de Barbizon, que foi doada por Calouste Gulbenkian ao Museu Nacional de Arte Antiga, a qual problematizará a dimensão cronológica e anacrónica no museu e das peças que integram as suas colecções.

 

Parte integrante da exposição é, também, «Um lugar para conversar num museu-atelier», onde uma série de encontros entre a curadora e diversos profissionais irão ocorrer ao longo da exposição, e para os quais o público é convidado a participar. Diariamente, participam nas conversas Ana Bigotte Vieira, Anísio Franco, António Guerreiro, Filipa Oliveira, Francisco Tropa, Joana Craveiro, João Paulo Serafim, João Pedro Cachopo, Katherine Sirois, Luís Silva, Margarida Brito Alves, Maria do Carmo Sousa Lima, Nuno Crespo, Paulo Pires do Vale, Pedro Cabrita Reis, Penelope Curtis, Raquel Henriques da Silva, Ricardo Nicolau, Roberto Cremascoli, Tomás Maia, entre outros. Esta peça activada pela palavra é iniciada por Miguel Loureiro, no dia da inauguração da exposição, com a leitura da entrevista entre Pomar e Vaz da Silva, de onde se recortou a pergunta-título, por sua vez trabalhada graficamente por Pedro Nora e integrada na exposição como uma intervenção autoral.

Finalmente, e ainda no âmbito da exposição, João Pedro Cachopo traduziu para português o ensaio de Theodor W. Adorno, Valéry Proust Museum (1953), recorrentemente citado no campo alargado do estudo do museu, e que nos interessa em particular, por colocar em diálogo diferentes visões sobre o espaço museológico. A tradução deste texto seminal é mais um contributo fruto deste laboratório em torno do museu do qual se propõe uma exposição em forma dialogante.

 

Agenda: “Um lugar para conversar num museu-atelier”

12/03, Sábado, 11h – Joana Craveiro, Actriz e encenadora de “Um Museu Vivo 11h00 de Memórias Pequenas e Esquecidas”

15/03, Terça-feira 17h – Anísio Franco, Conservador do Museu Nacional de Arte 17h00 Antiga
16/03, Quarta-feira 17h – Luís Silva, Curador, Kunsthalle Lissabon
17/03, Quinta-feira 17h – João Paulo Serafim, Artista, “Museu Improvável de Imagem e 17h00 Arte Contemporânea”
18/03, Sexta-feira (hora por confirmar) – João Ribas [por confirmar], Curador, Director Adjunto Museu de Serralves
19/03, Sábado 17h – Tomás Maia, Filósofo

 

Horário da exposiçãoDe Terça-feira a Domingo | 10h às 18h

Morada: Rua do Vale, nº 7, 1200 – 472 Lisboa

Entrada Livre

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