Rui Paixão, o único clown português que está selecionado para o Cirque du Soleil, não vai ficar parado enquanto aguarda pelo seu papel na companhia de circo canadiana. Vai andar em digressão com “Pozzo”, a sua nova criação depois de “Lullaby”. Rui Paixão e o músico Carlos Reis associaram-se ao núcleo criativo da d’Orfeu AC, que assume a direção de produção dos projetos artísticos do Cão à Chuva.

Pozzo é um espetáculo cómico, interativo, interventivo e absurdamente cheio de sentido. Estranhamente surreal, um intérprete desdobra-se em diferentes personagens, numa performance que privilegia a investigação sobre o clown contemporâneo e o trabalho de máscara, além da música tocada ao vivo. Uma metáfora permite a aproximação vertiginosa à realidade: Pozzo é uma alegoria do ser politizado e hierárquico. Num ambiente pós-apocalíptico, os porcos são a principal vítima desta catástrofe. A obsessão de Pozzo em comer porcos trouxe a extinção da espécie e como consequência a fome instalou-se. O espaço privado desta figura é colocado em praça pública de uma forma grotesca e bizarra.

Este é o ponto de partida para o novo espetáculo dos criadores de “Lullaby”, que percorreu o país em 2015 e recebeu vários prémios no Imaginarius (Portugal), Circada (Sevilha) e Fringe Festival (Edimburgo), tornando Rui Paixão na grande revelação das artes de rua e do clown em Portugal.

Pozzo é apenas a segunda criação de Rui Paixão e Carlos Reis. O trabalho criativo já começou e decorre até finais de Março, com o apoio de Fafe Cidade das Artes, onde haverá pré-estreia a 1 e 2 de Abril. A estreia oficial de Pozzo está para ser anunciada. Com ambos os espetáculos em carteira – Pozzo e Lullaby –, a dupla tem já diversas datas confirmadas, em festivais por toda a Península Ibérica, para este ano de 2016.