Amanhã, dia 23 de março, às 19h00, o Museu Coleção Berardo inaugura a exposição “O Enigma – Arte Portuguesa na Coleção Berardo”, no piso -1 do museu.

A exposição com curadoria de Pedro Lapa estará patente até 25 de setembro deste ano.

Serão aqui apresentados os trabalhos de Rui Chafes, Jorge Molder, João Maria Gusmão e Pedro Paiva, Pedro Cabrita Reis, João Tabarra e Ana Vieira, “realizados em épocas diferentes e com preocupações específicas partilham a consciência de um problema transversal à arte: o enigma que a constitui e se apresenta como uma incerteza radical. Entre a liberdade que a obra implica e a limitação desta enquanto particularidade no mundo, manifesta-se um paradoxo que define a sua existência como incerteza. Não que estes trabalhos se tenham tornado incertos sobre a sua função social, mas porque a função social se tornou o meio de afirmação da sua incerteza.

A recusa da afirmação de um sentido auto-evidente por parte destas obras é então o enigma com que operam. Este traça um indiscernível que habita o seu âmago e instaura no visível um intervalo de suposições que ameaça a própria integridade da visualidade da obra. Outra ordem de questões suscitadas consiste na exposição do pensar sobre o desconhecido. Visibilidade e pensamento ou invisibilidade e impensável, constituem essa incerteza. Esta exposição procura apresentar o momento de incerteza no interior do trabalho artístico como uma dimensão fundamental da arte contra a sua instrumentalização. As dúvidas sobre a sua existência tornam-se aqui fundamentais para a própria existência, pelo que o que está em jogo no enigma de cada obra é a própria arte.” – Pedro Lapa, diretor artístico.

Os artistas:

Rui Chafes foi o escultor vencedor do 29º Prémio Pessoa de 2015, um artista “sem tempo e do seu tempo”. Chafes nasceu em Lisboa em 1966. Formado em Escultura pela Escola Superior de Belas-Artes, realizou as primeiras exposições entre 1986 e 1987, instalações marcadas pelo uso de materiais precários que, mais tarde, deram lugar ao ferro pintado a preto, material pelo qual é conhecido.

Entre 1990 e 1992, estudou na Kunstakademie Düsseldorf, na Alemanha. Foi durante essa estadia que produziu a obra Fragmentos de Novallis, um “objeto de paixão” que nasceu “de uma longa relação com os textos” do autor alemão, “que se revelam como uma das bases estéticas mais importantes para” o seu “trabalho de escultura”, como escreveu no prefácio. O livro, publicado em Portugal pela Assírio & Alvim, inclui fragmentos de Novallis, traduzidos por Chafes, acompanhados de desenhos seus.

 

A biografia de Jorge Molder começa sempre por dizer que estudou filosofia, na Universidade de Lisboa, como se do reflectir à imagem fosse um caminho menos óbvio. Move-se no meio da fotografia, construindo séries onde a sua presença física, o seu rosto e as suas acções, têm o papel principal, fixas num preto e branco que nos remete para inúmeras referências visuais. Jorge Molder, a quem em 2010 foi atribuído o Grande Prémio Fundação EDP / Arte, um dos mais importantes prémios das artes visuais em Portugal, conversou com a Artecapital a propósito não só da exposição que tem neste momento no Círculo de Bellas Artes de Madrid, mas também sobre a situação actual do panorama artístico nacional.

 

João Maria Gusmão e Pedro Paiva dois artista que exploram a sua curiosidade por paradoxos e pelo desconhecido. Conhecidos no panorama artístico português pelos seus habituais conjuntos de peças realizadas em diferentes media, onde o filme em película, a fotografia e o objecto actuam como meios predominantes.

 

Pedro Cabrita Reis, o artista escultor que trabalha o tempo na perspectiva de continuidade, sem rupturas entre o passado e o presente. Nos seus trabalhos não há diferença entre o ancestral e o contemporâneo, existe continuidade no tempo e a capacidade de reactivar materiais aparentemente obsoletos.

 

João Tabarra (Lisboa, 1966) foi repórter fotográfico e como tal, a fotografia é predominante na sua obra. No entanto, a marca da foto-reportagem só se torna relevante na exposição No Pain No Gain de 2000 que combina a crueza do realismo fotográfico com o delírio de uma encenação na qual uma fada travesti remexe em latas de lixo. O curto circuito entre o imaginário e o real e a inquietante estranheza que dele emana são um dos traços fundamentais da obra de João Tabarra. Outro será a recorrente alusão ao “terrain vague”, o espaço de ninguém, como wasteland e wonderland, ou seja, como espaço de desolação e de possibilidade. Também o vídeo tem vindo a ganhar terreno na produção de João Tabarra, sendo as suas produções mais emblemáticas dos últimos anos neste suporte. Mute Control, apresentado na Fundação de Serralves em 2000 e Barricades Improvisées de 2001 apresentam encenações de confronto entre o indivíduo e o colectivo. O momento de máxima tensão é, em ambos os vídeos, mantido em suspenso eternizando o “instante decisivo”.

 

Ana Vieira nasceu em Coimbra e cresceu nos Açores. Formou-se em pintura na Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa, cidade onde vivia. É durante a frequência deste curso que a artista assume uma consciência gradual disruptiva com a pintura, questionando na sua produção artística primordial os regimes visuais, nomeadamente a representação, o processo de recepção e os pressupostos museológicos.

 

Morada: Praça do Império, 1449-003 Lisboa, Portugal

Horários: 10h30-18h30

Entrada Livre

 

Para mais informações visite a página do  Museu Coleção Berardo.