7 e 8 de Janeiro são definitivamente datas a gravar na memória colectiva porque representam o regresso de Dulce Pontes aos palcos nacionais. Os dois espectáculos que decorrerão hoje e amanhã no Grande Auditório do CCB, pelas 21h00, estão esgotadíssimos, prova incontestada da saudade que os milhares de fãs portugueses têm sentido, de ouvir, ao vivo a sua voz e demonstração absoluta do prazer que sentem por este reencontro com a sua diva.

Muito se tem dito sobre esta cantora que já conta com uma vasta carreira de êxitos, desde que se destacou, em 1981, com a sua participação no Festival Eurovisão da Canção, interpretando “Lusitana Paixão“, tema que ainda hoje regista uma elevadíssima notoriedade junto do público.

É reconhecida a nível nacional pelo papel que desempenhou na modernização do fado e pela recuperação de canções tradicionais portuguesas.

Internacionalmente ganhou destaque com a participação na banda sonora do filme “A raíz do medo”, com a versão da “Canção do mar“, de Amália Rodrigues. Teve sucessivas colaborações com o compositor Ennio Morricone, interpretou  canções de Charles Aznavour, Astor Piazzolla, Ariel Ramírez e Félix Luna, entre tantos outros e já actuou no Carnegie Hall e na sede das Nacções Unidas, em Nova Iorque.

Em Espanha, país onde actua frequentemente e onde esgota espectáculos sucessivos – Madrid, Segóvia, Sevilha – foi eleita, em 2004, a “Melhor Solista Feminina Latina” e de Itália recebeu o Prémio Tenco, galardão que distingue o valor de um interprete na área da canção de autor.

Cantora, compositora, escritora e até actriz, Dulce Pontes tem trilhado muitos “caminhos de pedras” e o afastamento da ribalta nacional significou tudo, menos a estagnação. “Cantei, cantei, cantei…” afirmou numa entrevista recente*, “…andei por muitos lugares, muitos palcos e muitos países, da América Latina à Europa, onde iniciei a tournée “Portos de Abrigo” (…) mas sinto muito a falta de Portugal.

Agora, está de regresso e promete levar os fãs por uma viagem poético-musical entre o passado e o presente, com algumas pontes para o futuro. Esta proposta passa pelo fado, o folclore, a música popular Portuguesa, a música Galaico-Portuguesa, de Martin Codax a Artur Paredes, de Fernando Pessoa a Horácio Ferrer, de Mikis Theodorakis a Linhares Barbosa. Dulce faz a travessia do Atlântico, tocando as orlas de África e do Brasil, com paragem obrigatória em temas que são clássicos da sua extensa carreira, numa “Verdadeira Peregrinação“, título do seu próximo álbum que já está em preparação.

Depois dos espectáculos de Lisboa, segue-se o Coliseu do Porto, a 17 de Janeiro, pelas 21h30, com bilhetes entre os 12,50€ e os 30,00€.

  • Entrevista de Dulce Pontes à M80, na rubrica “O Que É Feito de…” (http://m80.iol.pt/artistas/biografia.aspx?id=767).