Uma agenda cheia de espectáculos por esse País fora, marcam o ritmo, quase frenético, da vida de António Zambujo durante este 1º semestre de 2015. Como bagagem leva “Rua da Emenda“, o 6.º álbum de originais do músico de Beja.

Músico, compositor e interprete, há muito que António Zambujo deixou de ser apenas um fadista para ser um músico complexo, fruto de várias influências que vão do Fado à Bossa Nova, passando pelo Cante Alentejano da sua terra natal ou até pela música africana, criando uma sonoridade própria que divide opiniões, que se gosta ou não se gosta, mas que não deixa ninguém indiferente.

Rua da Emenda, sucessor de Quinto – o álbum com que conquistou a platina –  foi, uma vez mais, gravado com os cinco músicos que acompanham Zambujo em estúdio (voz, guitarra clássica), Bernardo Couto (guitarra portuguesa), José Miguel Conde (clarinete), João Moreira (trompete) e Ricardo Cruz (baixo).

Rua da Emenda” resultou também do contributo de alguns colaboradores de “Quinto”, como João Monge e Maria do Rosário Pedreira, Pedro e Luís da Silva Martins dos Deolinda, José Eduardo Agualusa e Miguel Araújo, os brasileiros Rodrigo Maranhão e Pedro Luís. As estreias neste álbum surgiram com naturalidade, conta o “maestro” Zambujo: “Eu já tinha participado no disco do Samuel Úria, já tínhamos feito coisas em conjunto com o Miguel Araújo e gosto muito das coisas que ele faz. Ele já me tinha mostrado esta música há uns tempos, “Valsa do Vais Não Vás“, dizendo que se a quisesse era para mim, porque a imaginava cantada por mim”, conta, acrescentando que a ideia apareceu ainda na era de Quinto.

José Fialho Gouveia, novo recruta nestas andanças de Zambujo, tinha-lhe enviado “…uns quantos poemas, a ver se me inspirava. Ficaram lá guardados e, quando comecei a juntar as músicas para o disco, achei que fazia sentido incluir a sua canção,”Viver de Ouvido“.

Dessa colaboração múltipla nasceu um “som quente” que atravessa todo o álbum “Rua da Emenda”, cheio de “…atenção ao pormenor e arranjos burilados, transpirando a influência de muitos cantos …”, “… uma avenida do mundo, onde coabitam as sonoridades do Brasil, França, Uruguai e do continente africano trazidas, claro está, para a dimensão portuguesa”.

Pica do 7“, o primeiro single do álbum, marca o reencontro entre Zambujo e um dos seus mais antigos parceiros, Miguel Araújo. Juntos, desenharam o cenário do eléctrico e romantizaram a típica figura do revisor.

Nos 15 temas de Rua da Emenda cabem também tributos aos talentos de Noel Rosa, Serge Gainsbourg, com La Chanson de Prévert, aqui reinventada pela magia da guitarra portuguesa, Jorge Drexler, o músico uruguaio que ganhou um Óscar em 2005 com “Al Otro Lado Del Río“.

Ao vivo, António Zambujo “enche o espaço e pára o tempo com a sua voz e guitarra, cheias de recantos e subtilezas, na companhia de músicos de excepção, dirigidos pelo seu contrabaixista e director musical, Ricardo Cruz. O público é convidado a participar, para que, a uma só voz, ecoem as emoções dos protagonistas e sentimentos universais, a que Zambujo sabe dar vida de forma ímpar, nas suas canções”.

Se quer ver e ouvir as actuações deste músico que é considerado uma referência da música portuguesa contemporânea, aqui lhe deixamos a agenda de espectáculos para o mês de Março:

  • 5 e 6 de Março (data extra) no Conservatório de Música, em Coimbra;
  • 7 de Março no Teatro Aveirense;
  • 14 de Março no Casino da Póvoa do Varzim;
  • 21 de Março na Casa das Artes em Famalicão.

Fontes:
http://blitz.sapo.pt/antonio-zambujo-nao-podemos-ser-eternamente-um-pais-de-brandos-costumes=f94843
http://www.teatroaveirense.pt/
http://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/o-ultimo-disco-de-antonio-zambujo-como-o-conhecemos-1675845