Inaugurou no passado dia 17 de Outubro, no Centro de Arte Moderna da Gulbenkian, a exposição que assinala o centenário do nascimento de António Dacosta.

Apesar da diversidade da produção artística de António Dacosta, artista eclético do Século XX Português que se distingiu como poeta, crítico de arte e pintor,
a exposição incide sobre a sua obra pictórica. José Luís Porfírio, curador desta exposição, seleccionou obras relevantes da sua carreira, bem como trabalhos menos conhecidos. A exposição, composta por 135 peças organizadas em núcleos que refletem as diferentes características da obra de Dacosta, inicia o seu percurso com a evocação do coelho, “Estou atrasado”, do livro “Alice no País das Maravilhas”, última obra pública de Dacosta, que decora as paredes da estação do Metro do Cais do Sodré.

“As peças encontram-se organizadas em núcleos que refletem as diferentes influências sofridas por Dacosta – o “expressionismo”, o “surrealismo”, o “cubismo”, entre outras, para além da insularidade.

“Cena Aberta e Crise Mitológica são os dois primeiros momentos, cronológicos. O primeiro define o universo surrealista do pintor, com obras como “Diálogo”, “Gasogénio”, “O Usurário” ou “Antítese da Calma”. Crise Mitológica é sobre o período que se seguiu e que parte de “A Festa” de 1942, com o qual recebeu o prémio Souza-Cardoso.

Os outros três núcleos da exposição são temáticos: Sul, Séries e Alfa e Ômega.

Sul reúne obras com uma espécie de geografia sentimental, poética que combina memória com imaginário. É a zona de presença das mulheres com “meninas”, retrato de Miriam” e “Imagem Perdida”.

Séries revela trabalhos do pintor organizados em núcleos temáticos como “Fontes”, “Memórias”, “Tau” ou “Assinaturas”.

Alfa e Ómega apresentam um acentuado contraponto entre obras de tempos diferentes. Tanto abarca a convulsão do pintor no início dos anos 40 – “Cena com um Pêndulo”, “Encontro do Poeta com a Morte” ou “O Filósofo”) como trabalhos feitos durante a segunda metade dos anos 80, que remetem para presságios, melancolias e enigmas que habitam a obra de Dacosta
– “Presságio”, “Caça ao Anjo” ou “Não há sim sem não – O Eremita”.

Exposição A não perder. Centro de Arte Moderna (CAM) da Gulbenkian.

De 17 out 2014 a 25 de jan 2015  |  Das 10:00 às 18:00  |  Encerra às segundas-feiras. A entrada tem um custo de 5 euros (descontos para jovens). Entrada gratuita aos domingos.