“…onde batia a sombra da ponte eu podia ver até muito fundo, mas não até ao fundo; não conseguia ver o fundo, mas os meus olhos penetraram fundo na inquietação das águas antes de se darem por vencidos…” (retirado de “O Som e a Fúria”, de William Faulkner).

Depois do enorme sucesso da estreia em Sintra, no final de 2014, o Teatromosca inicia uma tournée com a peça “O som e a Fúria“, começando pela apresentação em Cascais,  no Teatro Mirita Casimiro, a que se segue Braga, no Theatro Circo.

Este é o segundo espetáculo de uma trilogia que o Teatromosca dedica à literatura americana (apresentou “Moby Dick” de Herman Melville em 2013 e em Novembro de 2015, estreará “Meridiano de Sangue”, de Cormac McCarthy).

Publicado em 1929, “O Som e a Fúria” é a tragédia da família Compson, apresentando algumas das personagens mais memoráveis da literatura ocidental: a bela e rebelde Caddy, Benjy, o filho varão, o assombrado e neurótico Quentin; Jason, o cínico brutal, e Dilsey, o criado negro.

Com as suas vidas fragmentadas e atormentadas pela história e pela herança, as suas vozes e ações enredam-se para criar o que é, sem dúvida, uma das obras-primas de William Faulkner (1897-1962), considerado, ao lado de James Joyce, Virginia Woolf, Marcel Proust e Thomas Mann, um dos maiores escritores do século XX.

William Faulkner afirmou muitas vezes que “O Som e a Fúria” era o romance mais próximo do seu coração, porque era o que lhe tinha causado mais sofrimento e angústia a escrever.

Recebeu o Prémio Nobel da Literatura de 1949, o National Book Award de 1951, com o livro Collected Stories, e o de 1955 com o romance A Fábula. Foi também vencedor de dois prémios Pulitzer (A Fábula, 1955 e Os Desgarrados, 1962). É autor de romances psicológicos e simbólicos que retratam a decadência do sul dos Estados Unidos e cujas personagens vivem situações desesperadas.

Grande parte dos seus romances e narrativas são passados no condado de Yoknapatawpha (Mississipi). Para além de temas como a morte, a violação, o roubo e tantos outros, o que em Faulkner importa é o olhar, o seu peculiar modo de se aproximar à realidade, que pode ser cheio de pavor, vertiginoso ou cómico. O seu objectivo é, como o dos grandes mestres, construir um conjunto que fosse testamento do seu modo de pensar. Isto, e as suas contínuas referências à realidade, fazem dele um clássico.

Adaptado por Alexandre Sarrazola e contando com as interpretações de  Ruben Chama (Benjy), Filipe Araújo (Quentin) e João Cabral (Jason), este espectáculo comporta  o desafio de trazer à cena este romance, que passa por trabalhar um texto em que a história não evolui de forma tradicional, em que parece não haver futuro e o presente é sempre um acontecimento passado.

O espetáculo é uma coprodução com o Quorum Ballet, o Theatro Circo de Braga, o Arte Institute de Nova Iorque, o Teatro Estúdio Fonte Nova/Festival de Teatro de Setúbal, a Embaixada dos EUA e o Festival Internacional de Teatro do Alentejo, com o financiamento do Governo de Portugal – Secretário de Estado da Cultura /Direção-Geral das Artes, e conta ainda com as interpretações do músico Ruben Jacinto e das bailarinas Catarina Correia, Inês Pedruco e Margarida Costa.

Agenda de espectáculos:

23 e 24 Janeiro às 21h00, no Teatro Mirita Casimiro, em Cascais.
29 e 30 Janeiro às 21h30, no Theatro Circo em Braga.
e depois…

de 4 a 7 Fevereiro,  às 21h30, no Teatro Meridional, em Lisboa;
a 13 e 14 de fevereiro, às 21h00, e 15 de fevereiro, às 16h00 no Recreios da Amadora;
a 20 de Fevereiro, às 21h30, no Teatro Municipal da Guarda;
a 27 e 28 de Fevereiro, às 21h30, no Teatro Art’Imagem, na Maia;
a 7 de Março, às 21h30h e a 8, às 16h00, no Teatro Municipal Joaquim Benite, em Almada – no mesmo espaço, nos dias 5 e 6 de Março, será ainda apresentada a peça “Moby-Dick”;
a 14 de Março, às 21h30 no Teatro Aveirense –  no mesmo espaço, no dia 13 de Março, será ainda apresentado “Moby-Dick”;
a 10, 11 e 12 de Setembro, às 21h00, e 13 de setembro, às 16h00, no Teatro da Politécnica – no mesmo espaço, nos dias 3, 4 e 5 de Setembro às 21h00 e
6 de Setembro às 16h00, será ainda “Moby-Dick”.

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