De Tombuctu a Kinshasa. África subsariana e insular no FMM Sines 2016.

África volta a ter uma presença forte no FMM Sines – Festival Músicas do Mundo, cuja 18.ª edição se realiza entre 22 e 30 de julho de 2016 em Porto Covo e Sines. Gana, Mali, Cabo Verde, República Democrática do Congo, Guiné-Conacri e Reunião são as origens de oito confirmações que representam uma das regiões do mundo que mais alegria tem dado ao público do festival.

O highlife, ritmo doce e boa onda que é um avatar musical do Gana, tem em Pat Thomas um dos maiores vocalistas de sempre. Com Ebo Taylor, constituiu a dupla mais dinâmica da música ganesa nos anos 70 e 80, dominando as cenas highlife, mas também afrobeat e afropop do país. O álbum “Pat Thomas and Kwashibu Area Band” (2015), o primeiro com lançamento internacional, marca os seus 50 anos de carreira. Em Sines dão-lhe suporte os quatro músicos da Kwashibu Area Band: Kwame Yeboah (guitarra, órgão e bateria), Ben Abarbanel-Wolff (saxofones), Eric “Sunday” Owusu (percussões) e Emmanuel Ofori (baixo).

O guitarrista e vocalista Moh! Kouyaté é um músico da Guiné-Conacri a meio caminho entre a tradição mandinga, os blues, o jazz e o rock. Filho de uma família ligada à música, formou-se a ouvir os clássicos da guitarra do seu país, mas também de outros mundos: Django Reinhardt, BB King, George Benson, Jimi Hendrix. Em 2004, encontra Corey Harris, que acompanha em digressão pelos EUA, onde aprofunda o seu conhecimento dos grandes guitarristas de blues. Em 2007, muda-se para a cena afrojazz de Paris e alarga o leque de influências que o tornam um griot moderno. Lançou “Loundo”, o seu álbum de estreia, em 2015.

Mbongwana Star é uma banda criada em torno de Coco Ngambali e Theo Nzonza, dois antigos membros de Staff Benda Bilili. Em 2015, depois de conheceram o produtor Liam Farrell, recrutaram na nova geração de músicos da capital do Congo, e nasceu este projeto. Tal como em Staff Benda Bilili, os instrumentos, construídos em grande parte a partir de reciclagem de ferro-velho, modelam o som amplificado e distorcido da banda. O disco de estreia, “From Kinshasa”, contém elementos de eletrónica e pós-punk que permitem sentir influência rock. O espetáculo conta com a presença do baixista Cubain Kabeya.

Konono n.º 1 é um expoente da música de transe congolesa baseada em distorções elétricas artesanais. Fundada nos anos 60 por Mingiedi Mawangu, falecido em 2015, e atualmente liderada pelo seu filho Augustin, a banda produz um som onde se cruzam likembés eletrificados, material reciclado e ritmos tradicionais. São admirados por artistas e públicos que vão do rock alternativo à música eletrónica. Estabelecidos em Kinshasa, são oriundos da etnia Bakongo, que vive entre o Congo e Angola. O seu novo disco, acabado de lançar, é um encontro com Batida.

Khaira Arby é uma das vozes mais representativas dos blues do deserto. Nasceu a norte de Tombuctu, filha de pai tuaregue e mãe songhai. Começou a cantar em 1972, mas interrompeu a carreira quando se casou. Nos anos 90, depois de se divorciar, iniciou uma carreira a solo. Numa região marcada pelo conflito, canta o amor, a paz, a família e a vida das mulheres. Expressa a sua mensagem de união em quase todas as línguas faladas no Mali: songhai, fula, tamasheq, bambara, árabe ou francês. Formada por guitarra, baixo, cabaça, ngoni, violino e bateria, a sua banda lança pontes entre gerações e culturas.

Danyèl Waro, prémio WOMEX 2010, é um gigante da música de Reunião, ilha vulcânica do Índico sob administração francesa. Com Danyèl Waro, o maloya, estilo musical dos escravos e trabalhadores pobres de origens africanas, malgaxes e indianas voltou a ser uma parte assumida da identidade da ilha. No maloya e no seu canto em crioulo encontrou uma forma de expressão que o ajudou a pôr-se “em harmonia com a Reunião, o seu povo e a sua língua”, mas também a “distanciar-se da relação com a filosofia cartesiana e com julgamentos demasiado conceptuais”. Dedica-se ao fabrico de instrumentos de raiz tradicional.

Vítor Tavares, mais conhecido como Bitori, é uma lenda do funaná e do seu instrumento-símbolo, a gaita (acordeão diatónico). Nascido na ilha de Santiago há 75 anos, Bitori é um desses génios de Cabo Verde com muita vida para contar além da música: trabalhou nas roças de São Tomé, foi pedreiro, cortou cabelo, fez 13 filhos. O seu concerto em Sines surge quando é reeditado o disco “Bitori Nha Bibinha” (1997), um dos melhores álbuns do funaná tradicional. Estará acompanhado pelo cantor Chando Graciosa (outra figura eminente do funaná) e por Danilo Tavares (baixo), Toy Paris (bateria) e Miroca Paris (percussões e coros).

Formada por duas gerações de músicos malianos, Bamba Wassoulou Groove é uma banda em que as guitarras elétricas tomam a dianteira do palco. Surgiu em 2012, em Bamako, por iniciativa do percussionista Bamba Dembélé, que neste projeto toca conga. No jogo das cordas participam os três guitarristas (Moussa Diabaté, Dramane Diarra e Bayni Diabaté) e o baixista Papis Diombana. Ligados pela voz de Ousmane Diakité e pela bateria de Maguett Diop, derramam groove onde os blues naturais do Mali, em particular da região de Wassoulou, ganham reflexos no rock psicadélico e no funk.

OUTRAS CONFIRMAÇÕES

Além destes oito nomes, também já está confirmada a presença no festival dos seguintes artistas e grupos: Alaverdi (Geórgia), Alibombo (Colômbia), Bachar Mar-Khalifé (Líbano / França), Billy Bragg (Reino Unido), Bixiga 70 (Brasil), BNegão & Seletores de Frequência (Brasil), Dakh Daughters (Ucrânia), Graveola (Brasil), Imed Alibi (Tunísia), Islam Chipsy & E.E.K. (Egito), Juana Molina (Argentina), Los Pirañas (Colômbia), Speed Caravan (Argélia / Senegal), Systema Solar (Colômbia), The Comet is Coming (Reino Unido), The Unthanks (Reino Unido), Trad.Attack! (Estónia) e Vardan Hovanissian & Emre Gültekin (Arménia / Turquia).

 

SOBRE O FMM SINES

Criado em 1999, o FMM Sines – Festival Músicas do Mundo é a experiência de música ao vivo mais global que acontece no nosso país. Proporciona aos milhares de espetadores que o seguem todos os anos um retrato das músicas populares que se fazem hoje no mundo, mostrando como as tradições buscam a contemporaneidade e as migrações de ideias e pessoas dissolvem as fronteiras criativas.