O Museu de Lisboa inaugurou exposição com mais de 250 máscaras mexicanas, além de revistas de banda desenhada, vídeos, pósteres e fotografias de lucha libre.

Comissariada por Anthony Shelton e no âmbito da programação Passado e Presente – Lisboa, Capital Ibero-americana de Cultura 2017, traz-nos uma perspetiva alargada sobre o imaginário popular mexicano.

 

 

Nesta exposição dá-se espaço e visibilidade às narrativas que herdam práticas culturais indígenas, com aspetos de cultura popular, revelando visões sobre as histórias das relações entre os impérios europeus e os habitantes das Américas, um dos propósitos da programação Passado e Presente – Lisboa, Capital Ibero-americana de Cultura 2017.

 

O comissário da exposição é Anthony Shelton, antropólogo de renome e colecionador de máscaras mexicanas, fruto do seu longo trabalho de campo em várias regiões do México. Inclui cerca de 250 máscaras manufaturadas nos séculos XX e XXI de diferentes tipologias, além de filmes, banda desenhada e pósteres, e fotografias de Lourdes Grobet de alguns lutadores e suas famílias.

 

No México, as máscaras são um ícone crescentemente visível na identidade mexicana, em festivais religiosos, protestos públicos e na sua forma local de luta livre. Atravessando séculos, as máscaras eram usadas antes da ocupação espanhola, durante o tempo colonial e depois da independência, em diferentes contextos e zonas do México, do Norte ao Sul. Muitas máscaras são resultado dos confrontos entre culturas indígenas, europeias, e africanas, em que podem entrar personagens de mouros, cristãos, apaches, aztecas e espanhóis.

 

São máscaras de carnaval que representam europeus; máscaras cerimoniais figurativas de tigres, diabos, sereias, serpentes, crocodilos e morcegos, entre outros, bem como personificações de espanhóis, africanos e mouros, que continuam a ser construídas nos dias de hoje, para venda e para uso em festividades diversas que permanecem vivas, do Norte ao Sul do País.

 

Aspeto particularmente inovador desta exposição é a associação das máscaras mexicanas ao fenómeno nacional da Lucha Libre, a versão mexicana de wrestling cujos lutadores usam máscaras. Combinação de desporto, luta e entretenimento, a luta livre mexicana teve a sua primeira instituição em 1933 e, desde então, não cessou de ser uma manifestação que movimenta massas e dá origem às devoções mais intensas.

 

Através da documentação associada às máscaras e aos objetos e iconografia da luta livre, como os filmes documentários e as fotografias, ficamos mais próximos dos criadores, construtores e utilizadores de máscaras, assim como dos lutadores e do seu contexto social, sendo que em ambos os grupos é bem patente o modo tão particular como desenvolvem a sua relação com o sobrenatural.

 

Uma exposição que conta histórias fantásticas do México através de máscaras originais, coloridas e plenas de significado.

 

 

Horário: de 9 de julho a 1 de outubro, de terça a domingo, das 10h às 18h (última entrada 17h30)

Entrada: 3€ com descontos disponíveis aqui.

Morada: Museu de Lisboa – Palácio Pimenta, Campo Grande, 245 1700-091 Lisboa