| Robin Hood |
| Quinta, 13 Maio 2010 17:36 | ||||||
Robin Hood (Russel Crowe) integra o exército de Ricardo Coração de Leão. Estão a caminho de uma Inglaterra levada à ruína por dez anos de Cruzadas. Mal começou e já estamos numa cena de batalha. O exército inglês saqueia castelos a caminho de casa. E a primeira batalha é filmada exemplarmente – lembra a espaços, pela câmara que não sabe parar quieta, a brilhante chegada às praias da Normandia de O Resgate do Soldado Ryan, de Spielberg. De todas as batalhas que veremos ao longo do filme (e não são poucas) esta é a mais bem conseguida.
Cedo também se nota o cuidado nos adereços, hábitos e cenários. Ridley Scott quis trazer realismo à lenda. Ricardo Coração de Leão, por exemplo, embora corajoso, não é um herói. Até aqui, tudo bem. Já sabemos que isto é uma espécie de prequela, um filme sobre a lenda antes da lenda. Por essa razão também não se estranha que personagens como João Pequeno, o xerife de Nottingham e Frei Tuck surjam com menor destaque.
Um bocado contra a sua intenção inicial, Robin Hood chega a Nottingham e conhece Lady Marian (Cate Blanchett), viúva, lutadora e pouco feminina para a época; e nós preparamo-nos para a meia dúzia de clichés que se seguirão, tudo para um óbvio propósito: afinal de contas, tem de haver romance entre o herói e a donzela. A história vai-se compondo, com uma Inglaterra em polvorosa, sujeita a impostos escandalosos do novo rei (João Sem Terra). E Robin Hood assume-se não como um simples fora da lei, mas como um homem que vai ganhando relevância política, assumindo-se como herói militar.
Entretanto, a trama política leva-nos à iminência de uma guerra civil, ao mesmo tempo que França se prepara para aproveitar e invadir o país. Se antes tínhamos sentido o fantasma de O Gladiador a pairar no filme (recorde-se que Ridley Scott e Russel Crowe triunfaram nos Óscares precisamente com O Gladiador), é a vez do fantasma de Braveheart surgir: apela-se à união de um país, na luta pela liberdade.
Tratando-se de Russel Crowe – dificilmente poderíamos esperar do herói a elegância de outros tempos. Este Robin Hood é um político e um guerreiro em primeiro lugar. Não o vamos ver em torneios de arqueiros (a dada altura até nos esquecemos de que se trata de um arqueiro excepcional). E toda aquela romântica visão do herói que rouba a ricos para dar aos pobres é reduzida a uma única cena, que serve também para explicar a alcunha do capuz (o hood). É uma espécie de 2 em 1 de Ridley Scott, que com uma única cena aproveita para nos recordar que ainda é Robin Hood quem está no ecrã. E é também uma boa altura para admitir que o realizador conseguiu o prometido: há entretenimento e uma história original. Mas é inevitável pensar que falta aqui qualquer coisa.
A excelente fotografia do filme dá-nos a cinzenta Inglaterra que conhecemos. Mas os tons de cinzento também ajudam a explicar o filme. A agilidade foi substituída por brutalidade. A aventura foi substituída por calculismo táctico. E o sentido de humor terá ficado na mesma gaveta onde ficaram os collants. É um bom Robin Hood. Mas este tipo é bem mais taciturno do que imaginávamos.
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