Na passagem exacta de uma década sobre a sua extinção, estreia no Teatro Camões, a 12 de Março, o espectáculo BG – Homenagem ao Ballet Gulbenkian, que lhe é prestada pela Companhia Nacional de Bailado.

Até 29 de Março e ao longo de 12 sessões, a CNB apresenta ao seu público um programa que é mais do que uma homenagem, é uma viagem no tempo, “evocando o repertório e as individualidades indissociáveis da história do Ballet Gulbenkian”. Composta por um “colectivo de extraordinários e versáteis bailarinos”, a Companhia Nacional de Bailado é, em grande parte, herdeira do legado deixado pelo Ballet Gulbenkian, essa “memória inextinguível da arte, e em particular da dança em Portugal…”, assumiu o desafio de “manter vivo um património que nos une ao passado mas que nos continua a fazer hoje.”

O programa desenhado para este espectáculo – em associação com a Fundação Calouste Gulbenkian – é evocativo do riquíssimo e eclético “mundo coreográfico” que o Ballet Gulbenkian construiu ao longo de mais de 40 anos (1961-2005) e recorre não só a peças, mas a bailarinos e a coreógrafos que cresceram com o BG e que por ele foram influênciados, entre os quais se contam, Olga Roriz e Vasco Wellenkamp, responsáveis pela principal criação própria do Ballet Gulbenkian nos anos oitenta e noventa, tendo marcado então, decisivamente, o estilo coreográfico da Companhia .

Olga Roriz repõe “Treze Gestos de um Corpo“, peça que criou em 1987 para o elenco do Ballet Gulbenkian e com a qual ganhou o prémio de melhor coreografia, tornando-se sua referência, tanto a nível nacional, quanto internacional, estando no “Top 10” dos bailados mais exibidos pela Companhia.

Vasco Wellenkamp,  responsável por cerca de cinquenta coreografias para o Ballet Gulbenkian, volta à geografia da criação e faz a estreia da peça “Será Que é Uma Estrela?”, numa encomenda criadora de cumplicidades entre o seu sentido estético e a voz de Maria João, que interpretará canções de autores brasileiros como Tom Jobim, Chico Buarque, Vinicius de Moraes e Edu Lobo.

De um vasto leque de coreógrafos estrangeiros cujas peças integraram o repertório do BG, Hans van ManenOhad Naharin, figuras com presença assídua na Companhia, são os dois convidados que repõem em palco peças emblemáticas então exibidas.

Hans van Manen, considerado o maior coreógrafo holandês do Séc.XX, apresenta o seu dueto “Twilight“, que em 1979 foi integrado no repertório do Ballet Gulbenkian, tendo sido interpretado por duas das principais bailarinas portuguesas: Graça Barroso e Isabel Queiroz, cujas memórias também serão assim recordadas.

Ohad Naharin, coreógrafo israelita, criador de uma técnica e método de trabalho a que chamou “Movimento Gaga”, chegou ao repertório do Ballet Gulbenkian na última década do seu historial, ao longo da qual foram apresentadas cinco das suas criações. Com “Minus 16” levou ao rubro as plateias em Portugal, Espanha, Alemanha e Finlândia.

A CNB irá apresentar, no dia 11 de março, às 21h00, um ensaio geral solidário cuja receita reverte a favor de quatro instituições: Associação Quinta Essência-Uma Nova Linguagem para a Incapacidade, Associação Mais Proximidade Melhor Vida (AMPMV), Mundo a Sorrir – Associação de Médicos Dentistas Portugueses, e Associação Portuguesa de Síndrome de Asperger (APSA).

Em Abril o espetáculo entrará em digressão nacional, estreando no Porto a 10 e 11 de Abril, no Teatro Municipal Rivoli, seguindo a 18 de Abril em Évora, no Teatro Garcia de Resende e no dia 17 de Julho, no Teatro Municipal de Almada.

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Créditos da foto de topo: propriedade da Companhia Nacional de Bailado.

Fontes:
www.cnb.pt
www.sapo.pt
www.espalhafactos.com 

Jornal Expresso, Revista E, Edição 2210, 7 Março 2015